Escola

Quando dar um presente para professores se tornou uma obrigação


Chega o fim do curso e reabre o debate: devemos dar um presente aos professores? É um assunto muito polémico e em que todos têm uma opinião, por isso quero expressar a minha hoje, sobretudo porque sou contra esta nova tendência, embora participe dela, e isso é para mim. dar um presente aos professores tornou-se uma obrigação.

Todos os anos repito a mesma frase para mim mesma: 'Ano que vem não vou me inscrever no presente da professora das minhas filhas', mas no final farei de novo, porque não quero da próxima vez que for procurá-las depois da escola. Os criadores e promotores do grupo WhatsApp 'Professores presentes' apontam-me o dedo ou criticam-me pelo baixo, e, também, porque a última coisa que espero e desejo é que alguém rotule os meus pequeninos por 5 ou 10 euros.

Para mim, essa tendência de presentear professores é mais um exemplo de consumismo na sociedade e, também, de ficar bem na galeria. Com isso, não quero dizer que não devamos ser gratos e reconhecer que o trabalho que os professores realizam é ​​extremamente importante para o desenvolvimento e a educação de nossos filhos, mas acredito sinceramente que está saindo do controle.

Por sorte, na turma da minha filha mais velha, dar presentes foi 'cortado' quando eles entraram na escola primária, algo que também não entendo muito bem porque, embora seja contra, o que acontece, esse tipo de professor não merece mais um detalhe ? Incoerente!

Por outro lado, descobri que na outra turma do segundo ano, um grupo de mães decidiu em um 'pequeno comitê' fazer um presente para a professora, com o qual chegaremos ao final do ano e nos encontraremos com que alguns professores têm dons e outros não, embaraçoso ao máximo!

No caso da menina, no primeiro ano de infância, a casa foi jogada pela janela. As turmas são 25 crianças e elas investiram 10 euros para fazer um 'presente' a dois professores: o tutor e a professora de inglês. No total, temos 250 euros para gastar !!! As mães decidiram fazer um tênis Converse com o nome de todos os filhos (detalhe e tanto, mas duvido que o usem para descer a rua) e ... preste atenção! uma experiência em um hotel para duas pessoas. É exagerado ou não?

Eu faço meu trabalho e ninguém me paga por isso, e nada acontece. Continuo vindo com meu melhor sorriso para procurar as últimas notícias sobre gravidez ou novas técnicas educacionais para ajudar outros pais que, como eu, se preocupam com seus filhos e tentam educá-los em valores.

Às vezes recebo comentários negativos porque um leitor não gostou do artigo e tomo boa nota dele, e outros parabéns porque pude ajudar uma mãe ou um pai em um momento de crise, mas ninguém me manda presentes e nem por isso Vou parar de me colocar na frente do computador. Por que você tem que fazer isso com a profissão de professor? Por que não fazê-lo com médicos ou pediatras, que também desempenham um papel muito importante na vida de nossos filhos e na nossa? Por que um 'obrigado' não é suficiente?

Fico com a frase que minha colega Marga Santamaría escreveu há poucos dias, treinadora pedagógica e pedagoga sobre o assunto, e que me ajuda a não ver tudo tão negativo e, sobretudo, a pensar que somos os pais os culpados por todo este espetáculo : 'Nós professores não medimos o dom, nem avaliamos se existe ou não, já temos o nosso dom todos os dias com os nossos alunos'.

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